#carnaval

comprar uma cerveja e descer a rua que é de todo mundo e de ningém. ali na esquina onde pessoas  se tocam e se sorriem e se escondem de mais um pedaço de chuva é preciso atravessar, não tenho o que sorrir pra elas, hoje não há o que sorrir pra ninguém.

comprar outra cerveja e por segundos odiar o tiozinho que teima em vender cerveja quente num isopor vagabundo e desviar dos rapazes de preto que nem sabem como é deprimente esse ‘very stylish’ de vitrine.

comprar mais uma cerveja e parar em frente ao bar onde gente linda toca jazz na calçada e foda-se que está chovendo nessa cidade abafada e úmida e ainda assim tão seca.

comprar cerveja e talvez assim a rua fique menos barulhenta na volta. o metrô está longe e enquanto subo a rua me pergunto se vale mesmo a pena estragar tudo, bem ali na hora em que eu poderia ter, quem sabe, talvez [sem nitidez], ter feito a escolha certa.

mas quem é que sabe definir o que é o certo?

e nunca mais a sua voz safada me fazendo acreditar que tudo poderia ser tão fácil.

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2 comentários sobre “#carnaval

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