#4° take

ele sorriu e me beijou.

e eu lembrei de tudo o que eu sentia vontade de dizer mas tinha desistido antes mesmo de chegar ali. de como era sufocante aquele calor abafado pela chuva e de como por mais que eu gostasse de estar ali eu sempre sentiria vontade de estar em outro lugar. e eu lembrei de todas as vezes em que eu falei sobre o medo e sobre como bastaria muito pouco pra que eu fugisse. lembrei de todas as vezes em que ele fez a vida parecer simples dentro de toda aquela complicação e como perto dele tudo parecia leve e fácil. era fácil sorrir, era fácil fechar os olhos e ouvir tudo o que ele sabe sobre as músicas que eu não conheço, e era engraçadinho depois de tanto tempo ver como a distância havia mudado a maneira dele falar.

era simples não ter planos, não ter o que esperar porque já estava tudo ali. todas as cartas na mesa, era mesmo uma maneira bastante eficaz pra manter as coisas nos seus devidos lugares. o ar condicionado me irritava porque não era suficiente e pela janela eu via e re-vivia uma outra visita, onde tinha sol e era tudo tão diferente.

o peso de todas as coisas que eu não conseguia dizer fazia o ar ficar mais abafado e toda essa confusão me fez não conseguir dizer coisa alguma, todas as amenidades ficaram insuportáveis, tudo ficou meio perdido e não haveria cigarro que tornasse tudo leve de novo.

ele sorriu e disse que sabia que eu estava olhando pra ele.

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