tem essa diferença, sabe. do que você tem que tirar da sua vida, você (que no caso sou eu, acordei meio Pelé hoje) até quer que fique, mentira… você queria muito, queria mais do que tudo que ficasse, mas chegou aquela hora de dizer: – eu te liberto de mim. e você fez todo essa esforço, e opa tem dias que 2010 bate na sua porta como se não houvesse amanhã, mas no fim das contas você conseguiu.

e pra isso você teve que morrer.

e é por isso que ninguém vai te matar de novo. não se morre duas vezes. e aí, por mais que algumas coisas até façam o coração dar aquela aceleradinha marota, e te tirem um sorriso bobo de vez em quando você sabe que quando acabar, você até pode ficar assim meio chateadinha, mas ó no fundo, bem lá no fundo… você sempre vai saber que nada vai te fazer viver de novo.

e eu sei que você que está lendo isso está me achando dramática. e eu te digo: é preferível ser dramática a ser retardada.

beijos.

Eu queria não ter medo. Eu queria não engasgar toda vez que sinto vontade de dizer: olha, eu te quero e te gosto. Eu queria que fosse simples assim, que bastasse olhar e pronto, estaria dito.Queria não tentar achar em tudo qualquer coisa que me diga respeito. Meu coração deseja, espera e grita. Mas minha cabeça sempre me diz que não, não é possivel, que eu tenho que me contentar, que já tive muito. E me faz ter medo.

Não sei mais ser feliz.

Queria que tudo fosse claro. Que fosse simples.

Queria que fosse pra mim.

Às vezes acho que me fizeram capaz de sentir demais. E emanar demais o que é sentido, inclusive quando não faz sentido. E isso assusta, afugenta, por chamar atenção demais. Meus pensamentos são como um farol que não consegue se esconder na praia deserta. Ele sempre estará lá, ao alcance dos teus olhos, te impedindo de naufragar em mim. E não há nada capaz de me apagar.

Só queria, por meia-hora que fosse, me ver diluído no horizonte de uma noite qualquer. Uma dessas em que tu vagas por aí sozinha, trocando pernas, balbuciando impropérios ao vento. E ter o que eu sinto invisível aos teus olhos. Por meia-hora que fosse, te fazer me querer sentir na meia-hora seguinte.

Essa intensidade indesejada de sentimentos atribui imenso valor até mesmo ao mais insuspeito dos teus sinais. E isso, às vezes, torna-se tão pesado a ponto me fazer preferir a sensação de ausência de peso inerente à queda à falsa-segurança da terra firme. Meus joelhos doem, guria, e é por essas e outras é que me atrai tanto o ensurdecedor silêncio do vento frio me cortando a pele. Pelo menos, enquanto caio, tenho certeza de que não me ouves.

Quase sempre eu penso que deveria parar de agir assim.

E eu não paro. Me para.

 

 

 

(Lucas Silveira)

A gente nunca se acostuma com o fato que existem coisas que não controlamos, e de certa forma o controle que temos de nossa própria vida não passa de ilusão. Viver sob essa falsa certeza é aunica garantia de se surpreender com as fodas mal dadas que a vida dá. E como “a vida é tecelã do imprevisivel”, um belo dia sem que você tenha movimentado um músculo sequer o mundo vira um ovo. De codorna, porque se se fosse de galinha ainda teria como fugir. E mais uma vez, sem ter feito absolutamente nada pra colaborar com o destino, a vida vem e te fode. E você, que no caso sou eu, vai terminar a história como quem não presta. Se eu errei? Óbvio que sim. Errei em esperar demais de quem não tinha nada a oferecer, errei quando ofereci demais a quem não era capaz de entender que eu não esperava muito em troca. Errei em superestimar a minha fortaleza, que não tem nada de forte. Abri a porta a quem nunca teve intenção de entrar. E talvez não tenha sido um erro, insistir pode ter sido. E é muito foda ter essa pecha de pessoa bem resolvida (não sei de onde tiraram isso, whatever), quando na verdade não é nada disso. Aí a vida vira uma sucessão de mal entendidos, eu sou um emaranhado de mal entendidos. A gente pode combinar muitas coisas que eu vou aceitar só porque não quero correr o risco de dizer a verdade, que eu quero mais, que eu já me perdi olhando essas coisas que só eu vejo, e com isso perder o pouco que me oferecem. E olha que o que eu queria nem era tanto assim.

Eu só queria que ele gostasse de mim.

Tão de graça quanto eu gosto dele. E ponto.

Cadê você que me esqueceu?
Quem é  você que eu não esqueço?
Quem é você que me prendeu
E depois me deixou pra trás?

tenho evitado dormir. não falta sono. só não consigo mais sentir a mesma dor toda noite. então eu fico aqui, assistindo essas coisas:

e então não tem como não chorar, sabe, Chet?
não. tem. como. não. chorar.

e agora são 02:39 da manhã e não tem como não chorar porque dói de qualquer jeito.

(texto escrito em dezembro de 2010)

e agora tem você em todos os cantos da minha casa e não dá tirar você daqui tem você deitado na minha cama tem oseu cheiro no meu travesseiro tem a fumaça do seu cigarro na minha janela e ainda tem você em todos os cantos onde eu olho e ainda tem tudo de você que eu preciso esquecer tem todas as vezes que eu achei que seria forte o bastante e aguentaria tem agora essa certeza que todas as vezes em que eu tentei acreditar eu falhei tem essa saudade que eu sei que nunca passa e tem esse  meu mundinho tão perfeito onde você cabia tinha que ter sido assim eu pra você e você pra mim mas era demais era amor demais e isso pesa machuca era medo demais e eram mentiras demais e agora não nos suportamos mais e não sobrou nada?