levito.
no instante seguinte me esborracho no chão.
ando olhando para o céu
e tropeço no que não vejo.

na altura eu posso tudo, mas não alcanço o que desejo.

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matinê

Funciona assim: a gente pega um saquinho de pipoca e uma garrafa de guaraná. Pode levar uns doces também, menos chiclete, o barulho incomoda. Daí a gente pede uma licencinha, dá uma andadinha de lado, esbarra no joelho do rapaz um pouco mais comprido e com sorte chega ileso ali naquele cantinho onde ninguém vai nos incomodar. Em questão de segundos a gente senta da maneira mais esparramada que der, e se como eu, você gostar, pode até tirar os sapatos. Então a gente respira fundo, mas BEM FUNDO MESMO e fica ali quietinho esperando.

A vida passar.

maktub

é que vai dando esse cansaço, sabe?
uma eternidade batendo numa porta que não se abre.

essa inadequação pro mundo, não pertecencer a lugar algum, nem a ninguém. sempre estar no lugar errado, sempre perdendo a hora. tentando sair pela porta do armário.

não sei se ainda quero escrever.
não sei se ainda faz algum sentido.

não sei se sou capaz de esperar, sei o quanto vale a pena. só não sei até quando consigo.

 

Água e Sal

Eu bebi demais. E falei demais. Escrevi demais.
Tudo em mim extrapola, vai além.
Sou pequena demais pra tudo o que sinto
E vai tudo saindo assim, pelos olhos
Água e sal

Muitas vezes é rio
Algumas é goteira

Vai tudo isso saindo assim
Eu bebo demais e falo demais
E falo: EU GOSTO DE VOCÊ
E escrevo o que eu sei que já sabe
Mas não enxerga
E vai tudo assim me escapando pelos olhos
Me extrapolando o que eu deveria guardar
Pra não perder o que não é meu

Eu bebo demais e não caibo mais em mim
Tudo em mim extrapola e me escapa pelos olhos
Assim, numa noite fria qualquer.

Uma segunda-feira blues.

“When I look in your eyes
I can feel the butterflies
Could you find a love in me?
Would you carve me in a tree?
Don’t fill my heart with lies
I will love you when you’re blue
But tell me, darlin’, true
What am I to you?”