resposta

eu fiquei de escrever sobre uma pequena dr que rolou no msn outro dia. pensei em muitas coisas, teorias e explanações pra explicar um sentimento, mas foi em uma musica que eu encontrei a resposta certa:

“nem tão longe que eu não possa ver,
nem tão perto que eu possa tocar.”

resumindo, é isso: a eterna sensação de estar diante de um ovo fabergé.

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quando eu estava na antiga oitava série e numa conversa pós aula disse pra minha então professora de potuguês que  queria escrever ela me disse que eu poderia fazer qualquer coisa, mas que eu não precisava escrever. e só muito tempo depois entendi a resposta dela:

-Você fala tudo com os olhos.

só que o tempo passa e a vida vai fodendo tudo, sabe? eu não olho mais as pessoas nos olhos, mas procuro sempre dizer o que penso e sinto e as pessoas, não sei porque cargas d’agua, insistem em fazer questão de não entender lhufas do que eu falo. sabe? sabe? sabe?

eu digo pra fulano: olha, relaxa que já acabou faz tempo. mas faz bem pro ego dele sair por aí se pavoneando que não acabou. mas olha, só na  cabeça da pessoa. mesmo. porque, né… dois anos depois. e eu já disse que acabou. mas se faz bem acreditar que não, quem sou eu pra contrariar.

daí eu escrevo aqui com TODAS as letras existentes no universo que sei da verdade. e siclano INSISTE em mentir pra mim ad infinitum achando que me engana. e quando eu falo que sei, sou obrigada a ouvir: -Você não sabe o que tá acontecendo.” ah, vá! ce jura mesmo que não? e ainda saio da historia como quem não presta. tudo bem, ja me acostumei a acabar com o papel de vigarista.

acho que deve ser essa a hora certa de calar a boca, já que ninguém me escuta mesmo.

mas olha só negada, pela última vez: o tempo passou, a vida andou e vocês precisam aprender a entender o que eu escrevo aqui. não cito nomes, porque né? mas uma coisa é certa: o passado está onde é o lugar dele. nos arquivos.

atos herdou de mim esse tipo de coração. gente assim ri mais, chora mais, odeia mais, ama mais… ama mais, principalmente isso. ama muito mais. é uma espécie de gente inflamável, que está sempre se queimando e se renovando sem parar. de onde nascem chamas tão altas? muitas vezes não há nenhuma acha de lenha para alimentar o fogo, de onde vem tamanho impulso? mistério. as pessoas param, fascinadas, em torno desse calor tão espontâneo e inocente, não? tão inocente. no entanto, tão perigoso.

(lygia fagundes telles)

você não pode me deixar. não é você quem deve cortar os nós, esses que machucaram. quem foi que te deixou me tirar da sua vida? quem foi que te disse que você tinha esse direito?

sou eu quem tem que deletar o seu numero, o seu e-mail, todo e qualquer contato. sou eu quem tem que te deixar, sou eu quem deve bater a porta. porque foi você quem me machucou e cabe a mim e só a mim a porção exata de orgulho ferido. esse papel de vitima que você sempre fez questão de monopolizar agora devia caber a mim. é a minha vez.

mas sabe… no fundo eu não quero. você me mostrou que não se vai muito longe com esse fardo, esse de vitima do mundo que você sempre gostou tanto de carregar. não vou jogar no mundo a culpa pelas minhas perdas, a parte que me diz respeito eu assumo, as minhas culpas (todas elas) vão comigo enquanto pesar. o que nos difere é que as minhas vão ficar pelo caminho logo, enquanto você vai continuar carregando as suas ad infinitum.

acho triste. mas sempre esqueço que é assim que gosta de viver.

Não nasci pra ser mãe

mas tenho uma filha.

Oi. Meu nome é Maely e eu tenho uma filha, que vai completar 10 anos em Maio. Ela gosta de dizer que vai fazer 10 e não que tem 09 porque assim se sente mais velha. Ela gosta de fazer desenhos e de ler os gibis da Turma da Mônica que ela assina.

E eu como quase todo mundo quis dar a ela uma educação diferente da que tive. Não que a minha não tenha sido boa, mas é fato que ao ter filhos a gente sempre tenta não cometer os erros dos nossos pais. O que me fez desde sempre me colocar mais como amiga do que mãe. Porque por mais que a minha mãe tenha tentado, nunca tivemos cumplicidade. Nunca consegui chorar no ombro da minha mãe sem medo de ser recriminada. Não é culpa dela, nem minha. As vezes o bolo desanda mesmo. O fato é que, não se sabe ao certo porque, eu nunca quis ter filhos. Nunca tive sonhos com bebês fofinhos e rosados, nunca quis deixar essa marca no mundo. Mas aconteceu virou manchete e eu tive uma filha, que é a pessoa mais sensacional que eu já conheci na vida. E com ela aprendi que nós mãe precisamos dos filhos mais do que eles da gente. Não importa como, muito cedo ficamos só eu e ela. Não sei quantas noites acordei com o choro descontrolado dela, nem quantas vezes ela ficou doente de saudade do pai que estava longe. E isso foi todo um drama durante seis anos. Muitas vezes, ela ainda pequena com cinco, seis anos dormiu chorando abraçada comigo. E eu tinha que esperar ela dormir pra poder ser fraca e chorar também. Não fui pai e mãe, como ela me disse outro dia, eu fui e só sei ser mãe. Eu não nasci pra ser mãe, mas minha filha me ensinou que os momentos que eu sempre quis só pra mim seriam mais bonitos com ela por perto. Eu não nasci pra ser mãe e por isso sou amiga da minha filha. E tenho orgulho disso, porque tá cheio de gente por aí que não consegue sequer ter um relacionamento mãe/filho convencional. E isso sim é triste.

Sabe o que de mais valioso a gente aprende com os filhos? É que não tem receita. O que é bom pro meu pode não ser pro seu. E que pra cagar regra na vida alheia a gente precisa ao menos ter conhecimento de causa do que está falando.

Eu não nasci pra ser mãe, mas todas as vezes em que a minha filha precisou de mim eu estive com ela. No primeiro dia da escola, nas tardes de férias em que a gente faz bolo de chocolate, nas sessões de cinema só nossas, todas as poucas vezes em que ela esteve doente, eu estava com ela.

Esse texto todo é só pra dizer que o próximo que vier me dizer que ama a minha filha quando não é capaz de amar nem a sua, ou que tem alguma coisa errada em eu ser mais amiga dela do que mãe, vai ser convidado a dar meia hora de cu.

Grata.

eu sempre tive o nariz em pé. e sempre me fodi por causa disso. porque antes todo mundo me achava metida e fazer amizades era sempre um sofrimento. dai eu liguei o foda-se e parece que desde então fiquei com cara de otária. sabe?

e até sou mesmo. até a página 2, e só. e sou mesmo, até onde de certa forma me convém. e sou mesmo. até onde eu insisto em acreditar nas pessoas. me permito me repetir: o sentimento não mudou, quem mudou fui eu. simples:

não acredito mais.

ou até posso acreditar, mas né? a gente planta aquilo que colhe. só que eu cansei de colher uma tempestade que não plantei. não posso e nem quero carregar um fardo que não é meu. e olha o tamanho do ridiculo, alguém que diz que sente a minha falta, me teve nas mãos, cegamente. mas fez de tudo pra me afastar e agora diz que sente a minha falta. sente falta do que? de ter alguém á disposição da instabilidade do seu humor? de se sentir confortavel sabendo que eu, boba apaixonada, estava sempre ali á mão, feito um cão abanando o rabo á espera das migalhas do seu dono?

e teve, sabe. for a long long time. anos a fio eu esperei. esperei a vez de outra, esperei o tempo da ausencia, esperei uma espera sem motivo. três anos não foi o suficiente? so sorry, it’s all over now, baby blue.

eu sei que isso vai ficar muito confuso, mas whatever… eu já disse e torno a me permitir a auto repetição: eu quero o circo todo a que tenho direito. não to mais aceitando migalhas, provei de novo o gosto do inteiro e não aceito mais nada que seja menos do que: TUDO.

o que óbviamente você não pode me oferecer. e sim você tem razão: não me merece, nunca mereceu.

tá proibido sentir saudade?
não? pois devia.

eu quero uma dose de amnésia seletiva. não quero lembrar do seu cheiro nem de como você cabia tão direitinho no meu mundo. não quero pensar que talvez, quem sabe. porque eu e você sabemos que só existe o não. e eu nem ando precisando fingir tanto. dá pra segurar alegria de verdade por uns trinta e cinco minutos, o resto é só o resto desimportante de sempre. porque eu penso em você todos os dias. desde o primeiro. e sinto que não vai ser assim por muito tempo mais.

e o que é que vai sobrar depois que o ultimo dia chegar?