ninguém pode achar tão ruim quanto eu, que estou dentro de mim.

 

Eu escrevi uma carta. Nela falei sobre não ter mais pra onde correr porque em todos os lugares, o que inclui a minha casa, existe alguma coisa de você. Falei também sobre todas as vezes em que era só olhar para o lado e te saber ali, perto, forte; e sobre como eu sentia que se eu só olhasse pra você tudo se resolveria. E escrevi alguma coisa sobre sonhos também, os que eu sonhei acordada e me fizeram sorrir, os que eu sonhei dormindo e me assustaram e que eu só entenderia bem depois. Falei sobre aquele antes, quando não havia nada e era tudo tão perfeito, e quem diria que o depois viria acabar com tudo. Lembro de ter mencionado isso que sobrou agora como uma constante sensação de soco no estomago. Ninguém pode ser tão triste assim. E eu escrevi á mão pra ter a certeza de que você não entenderia nada. Esqueci que não era preciso, você nunca entendeu nada do que eu te escrevi e por vezes usou minhas palavras pra me ferir. E me ferir é uma coisa que você sabe bem como fazer, não há mais espaço para novas feridas, nem para novos sonhos, afetos, alegrias. Nada. Falei verdades, gritei suas mentiras, chorei a minha frustação, suspirei a minha saudade, indaguei tantos porquês quanto pude, murmurei omeu amor ferido, tentei te machucar, mostrei minha fraqueza. Escrevi minhas dores, contei do meu choro de criança. Mas não tive coragem de postar.

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