“De cada dia arrancar das coisas, com as unhas, uma modesta alegria; em cada noite descobrir um motivo razoável para acordar amanhã.”

 

é como se o que sempre sobrasse fosse um cômodo vazio a ser fechado. a gente usa todos os espaços, pinta as paredes como bem entende e depois não cabemos mais lá. a história vai ficando grande a medida em que tudo na gente cresce. daí uma hora a pintura fica gasta, aparecem algumas infiltrações, o sol já não entra mais pela janela porque tem um prédio no meio do caminho.

e então, finalmente é hora de fechar a porta e ir embora.

o último que sair apague a luz.

Só me resta agora acreditar
Que esse encontro que se deu
Não nos traduziu o melhor
A conta da saudade quem é que paga?
Já que estamos brigados de nada
Já que estamos fincados em dor

Lembra,  o que valeu a pena
Foi nossa cena não ter pressa pra passar

Acabou.

“Infelizmente, é impossível explicar pra todas as pessoas do mundo que, olha, desculpa, é só que eu não consigo. Hoje eu não consigo. Não consigo ser eu. A tristeza me tira de mim mesma. Não consigo conversar, responder, perguntar, ligar. Não consigo me importar quando nem faz sentido estar acordada. E toda a pouca energia que eu tenho está sendo usada pra disfarçar. E se eu fizer algum esforço além, vou chorar e todo mundo vai perceber e ter pena de mim ou vai pensar que eu sou maluca. Porque eu não tenho motivo pra chorar. A tristeza faz de mim uma pessoa pior. E, sim, eu sei que é ruim conviver com alguém assim. Mas eu garanto, eu tenho certeza que ninguém pode achar tão ruim quanto eu, que estou dentro de mim.”

 

Fui ali buscar um caminho e não volto.

it's a lovesong

please remember me once more

então hoje é seu aniversário.

eu fiz uma lista dos presentes que eu gostaria, além do meu mais apertado abraço (e sem contar o resto), de te dar.

mas talvez, quem sabe, minha ausência seja o melhor presente.

ninguém pode achar tão ruim quanto eu, que estou dentro de mim.

 

Eu escrevi uma carta. Nela falei sobre não ter mais pra onde correr porque em todos os lugares, o que inclui a minha casa, existe alguma coisa de você. Falei também sobre todas as vezes em que era só olhar para o lado e te saber ali, perto, forte; e sobre como eu sentia que se eu só olhasse pra você tudo se resolveria. E escrevi alguma coisa sobre sonhos também, os que eu sonhei acordada e me fizeram sorrir, os que eu sonhei dormindo e me assustaram e que eu só entenderia bem depois. Falei sobre aquele antes, quando não havia nada e era tudo tão perfeito, e quem diria que o depois viria acabar com tudo. Lembro de ter mencionado isso que sobrou agora como uma constante sensação de soco no estomago. Ninguém pode ser tão triste assim. E eu escrevi á mão pra ter a certeza de que você não entenderia nada. Esqueci que não era preciso, você nunca entendeu nada do que eu te escrevi e por vezes usou minhas palavras pra me ferir. E me ferir é uma coisa que você sabe bem como fazer, não há mais espaço para novas feridas, nem para novos sonhos, afetos, alegrias. Nada. Falei verdades, gritei suas mentiras, chorei a minha frustação, suspirei a minha saudade, indaguei tantos porquês quanto pude, murmurei omeu amor ferido, tentei te machucar, mostrei minha fraqueza. Escrevi minhas dores, contei do meu choro de criança. Mas não tive coragem de postar.