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me diz uma coisa bem bonita. e pinta os meus dias com as cores mais bonitas. me abraça até o frio passar e conta as histórias dos seus dias que já passaram. porque aqui o tempo é sempre frio e as cores sempre desbotam. e eu já não tenho coisas bonitas pra contar. me diz uma coisa bem bonita e me faz acreditar no tempo que cura tudo, me faz acreditar em todas essas bobagens de pensamento positivo e boas vibrações e até em Deus eu acredito se você disser.

me conta uma mentira que me faça rir e que me leve de volta pro tempo em que tudo era fácil. atrasa o seu relógio pra dar tempo de me esperar só mais um pouquinho. e me abraça de novo, agora que a vida já não tem mais sentido e tudo é tão sem graça e triste, me abraça de novo e me faz acreditar que a noite não tem fim, que a chuva é tão quente quanto o seu braço e olha, o tempo não passou. ainda é ano novo.

re:

para @redeandrade

 

olhando pela janela nós vemos essa cidade toda que é nossa. e a noite sempre teima em terminar apagando as luzes das nossas avenidas, trazendo o metrô para acabar com a nossa festa de todo dia. e eu só queria que a noite não terminasse, porque sabe-se lá quando vai ter um indiano, uma cerveja ou mais uma tequila no nosso caminho. e olha só como é facil rir assim sem medo, é só falar uma bobagem, uma dessas bem cabeludas e todos os problemas ficam tão pequenos que já nem existem mais. vamos só mais uma vez fazer graça da nossa tristeza, vamos só mais uma vez começar um assunto que não tem fim, vamos só mais uma vez encontrar no meio do caminho o sentido de tantas noites que não mereciam encontrar o amanhecer.

 

m.

acende o cigarro e olha as fotografias na parede. elas já não dizem mais nada, são apenas pedaços que de nada servem além de juntar traças. entre uma tragada e outra, aproxima os olhos dos olhos na parede e não consegue mais enxergar nada além do tenpo que passou. o gosto de cravo na boca traz a lembrança das noites intermináveis nas avenidas e bares de praça; “noites que passaram/noites que virão/noites que passamos lado a lado/em solidão’.

e o que não diz mais nada vai pro lixo. fotos, recados, sms, o numero na agenda. tudo. porque não se pode morrer em vida, não se vive depois, ou amanhã. e eu quero todo o circo a que tenho direito, e quero agora! porque o  amanhã não existe, o depois eu não sei, e agora vai tudo pro lixo. muito obrigada.

e existe uma estrada esperando pra ser percorrida. e existe uma folha em branco todos os dias pra contar histórias. e eu vou escrever uma história bem bonita dessa vez. porque eu sou mais do que essa tempestade, eu sou mais do que as histórias que passaram. e eu vou. sem medo.

storm

um grão de areia pode causar uma tempestade. e ninguém nunca será capaz de saber o que essa tempestade causou em mim. morri no meio dela. morri, porque nada mais em mim é inteiro, e nada se sustenta. caio ao primeiro golpe, ao primeiro vento. porque agora a menor tentativa de ataque é golpe de misericórdia. e eu só espero a primeira pá de cal. e todos os dias eu morro. e morro porque tenho memória. e lembro de tudo o que eu só quero esquecer. daqui a pouco volta a chover.

away

o tempo não passou. tudo está no mesmo lugar. até o retrato que estava na gaveta voltou morar na cabeceira. e mesmo assim tudo está mudado. a poeira já não incomoda, o relógio não apressa mais. tanto faz. tanto faz chegar atrasada ou não ir. tanto faz estar ou não. tudo está no mesmo lugar e os dias ainda são os mesmos. porque só o que existe é esse vazio do que não está aqui. e não faz mais diferença sorrir ou chorar. porque é tudo mentira. o tempo não passou e tudo continua igual. no silêncio.