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silêncio

eu escolhi você. todas as vezes que eu devia ter evitado, quando eu ainda podia optar pelo meu mundo seguro e conhecido, quando eu tive medo, quando eu soube que não teria volta, quando eu achei que não fosse possível, quando eu deixei de ser quem eu era, quando eu sofria, quando eu sentia a sua falta, quando esperei você voltar, quando eu estendi a mão, quando eu acreditei e até mesmo quando eu desisti.

eu sempre escolhi você.

porque você guarda meu segredo, e nem sabe. porque é em você que eu sou de verdade e é só em você que eu encontro paz.

eu escolhi você. e escolheria por toda uma vida. e por mil outras mais. só pra poder ser eu em você, porque  é só nessa parte minha que existe em você que eu sou capaz de qualquer coisa parecida com.

viver.

quase

eu quase morri quando nasci. e quase morri enquanto crescia. quando me vi gente grande, quase morri de novo. e passei uma vida inteira quase morrendo esperando algum momento, por mais breve que fosse, de poder viver. e eu quase morro quando mesmo sem vontade me obrigo ao trabalho que não tem nada a ver comigo. e quase morro ao me forçar ás convivências cotidianas que não me dizem nada.

e eu quase morri quando você foi embora. porque junto com você foram todos os dias em que não era preciso quase morrer para quase viver. e todas as horas que valeriam uma vida toda. e o que ainda havia de bonito em mim.

e agora eu vivo de quase morrendo. de novo.

e.

não adianta eu te dizer essas coisas que também não fazem mais sentido pra mim. o que eu posso te dizer é que eu sei, e sei com uma das poucas certezas que eu tenho na vida que eu e você somos maiores que isso. tão maiores que eu acho que é essa nossa grandeza que nos faz dar conta de tantas coisas que a gente não queria pra nossa vida, mas que estão aí e nossa, mesmo sem perceber a gente vai atravessando tudo isso sem nem saber direito como e quando a gente percebe já passou. e eu sei que demora, e tem demorado demais. mas uma hora passa. você não vai morrer de tristeza e eu não vou acabar a minha vida no AA porque a gente é tão maior e mais bonito que isso tudo que uma hora dessas a gente acha uma saída e záz. olha só, tudo bem de novo. pode não ser hoje, nem agora, meu amigo tão querido, mas eu sei e você sabe também que um dia o dia chega.

talvez a grande sacada seja aprender a esperar por ele.

de tudo

de todas as coisas que se pensa e não se pode dizer porque não é adequado. uma vida inteira andando de cabeça baixa com os pensamentos presos e o coração na mão. uma vida inteira fora dos padrões porque os pensamentos não cabem onde nascem. e fogem. fogem pela boca, pelos olhos, pelos gestos. e se perdem na ausência de quem deveria ouví-los mas nunca está porque sempre tem alguma coisa mais importante a fazer.

das coisas que se sente e não se pode viver. porque você chegou tarde demais. e havia a promessa, mas ninguém ajustou o tempo pra ela acontecer na hora exata. delay para um coração partido. e o amor vazando pelas feridas que um dia, talvez, deixa o tempo, um dia irão cicatrizar. uma vida inteira esperando a hora certa que nunca chega porque quem você espera nunca vem porque sempre tem alguém mais interessante pra se conhecer.

das coisas que não se vive. porque não há vida possível.

carta

quem sabe um dia eu escrevo uma carta pra você. ou um bilhete. ou qualquer coisa dessas. e então quem sabe eu consiga te contar do muito amor que eu tive e ainda tenho. por você. pra te contar que o tempo que passou não ajudou em nada, só piora. porque saudade é sentimento ingrato. e é você que eu procuro em todos os lugares aonde  vou. e nunca tem graça.

e eu te diria de tudo tão bonito de você que ficou em mim. e que é isso o que me empurra pra essa vida que eu não quero, porque você  não está nela. e você cabia tão direitinho dentro dela.

quem sabe um dia eu escrevo uma carta pra você. pra te dizer, olha. não me esqueça. não te esqueço.