ego

eu não gosto de andar na montanha russa. eu não gosto de café. eu não gosto de bebidas quentes. eu não gosto de dias de sol quente, onde a gente derrete mesmo embaixo do chuveiro. eu não gosto de plantas dentro de casa, nem de passarinhos em gaiolas. e não gosto de gatos. eu não gosto de gente sem senso de humor. eu não gosto de responder perguntas quando elas são sobre mim. eu não gosto de viajar. e não gosto nem um pouco de aviões. eu não gosto de olhar vitrines.

eu tenho ciúme mortal dos meus amigos, da minha filha, dos meus poucos livros, dos meus textos, do meu cachorro, dos meus cds e das minhas bolsas.

eu pinto o cabelo, mas não as unhas. e adoro maquiagens.

eu gosto de blues, de músicas dos anos 50, de música clássica, de mpb e sinto nostalgia quando ouço Ira! e Legião Urbana. embora a trilha sonora da minha vida seja Humberto Gessinger.

eu gosto de sorvete, de vinho, de pistache, de rede em tarde de chuva, das horas perdidas no aconchego da cama, de dormir tarde e levantar cedo, de ir pra longe, de ficar em casa, de ficar sozinha, das novelas do Maneco, do abraço sem pressa dos meus amigos, de pizza, de saber mais que os outros (mesmo que seja sobre idiotices), de não ter pressa, de saber fazer coisas que minhas amigas não sabem, de escrever, de escrever, de escrever.

 

ontem

seu silêncio me dói. esse vazio triste das coisas que poderiam ter sido. esse peso da hora que perdemos. e os dias passam levando você pra longe, devagar, mas sempre te levando.

e no fim das contas sempre tem alguma coisa te levando pra longe de mim, alguém, outro lugar, a vida. talvez tenhamos mesmo ficado presos em algum momento que não devia ter passado, insanos, nos distraimos e perdemos a hora exata.

onde foi que nos perdemos? onde foi que fizemos a conversão errada?  será que existe um retorno que nos leve de volta pra onde tudo era simples e leve e tinha sempre aquela certeza que tudo estava bem?

seu silêncio me dói. dói com o peso das coisas que foram ditas. com a saudade das horas que não voltam. com o vão que as mão fazem por não te alcançar mais. com o medo de perder o pouco que resta.

 

hoje

hoje eu queria te abraçar e te dizer que vai ficar ficar tudo bem e olha faz de conta que eu posso te levar onde você quiser num piscar de olhos e olha se você quiser faz de conta que nada mais existe e e olha eu só queria que você sorrisse de novo como antes e olha eu queria que você  visse com pode ser tudo tão simples e pode até ser bonito se você quiser.

hoje eu queria te dizer que olha eu gosto tanto tanto tanto de você. esse quase amor que não se entende. porque não precisamos de porquês. apenas somos.

hoje eu queria te dizer que olha: não me deixe. não te deixo.