teia

mês passado eu me apaixonei por um demônio. e no mês anterior, e no anterior e em muitos outros anteriores. e quando eu vi o demônio, já sabia que não havia fresta possível por onde escapar.

e todos os dias ele sorria pra mim enquano pisava as migalhas das quais me alimentaria todo esse tempo. e eu sorria de volta. eu sempre sorria de volta, alheia ás migalhas e aos sons e cheiros e sombras vindos de fora. estava presa na teia do demônio.

e o demônio me deixava, presa e inerte. esperando a sua volta, hipnotizada pelo seu sorriso, atordoada pelo seu perfume. e aquela dor já passou. uma hora sempre passa.

e de novo o demônio sorria pra mim, e eu… sorria de volta. sorria numa tentativa inútil de me fazer parecer alheia ao encanto, mera máscara blasé que pra nada servia. e ele sabe… ele sempre sabe a hora certa de sorrir.

mês passado eu me apaixonei por um demônio. estou entregue.

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