mirror

(…)todos os dias a moça olha no espelho e se pergunta onde estão suas marcas. onde foram parar todos os anos que passaram, todos os dias cinzas e frios, e todas as coisas que viveu.
todos os dias. essa procura insensata por uma história em seu rosto. deveria estar em algum lugar ali, nos olhos, na testa… e algum lugar deveria estar. mas ela não acha. não no espelho.

e todos os dias ela sai na esperança vã que alguma coisa mude. tentando acreditar que em algum lugar vai encontar a parte de sí que perdeu. essa outra moça que é ela e anda por aí vivendo essa vida que ela quis tanto. vivendo em lugares onde ela sempre quis estar.

todos os dias a moça abre a sua janela, e todos os dias ela deseja que o sol esteja lá. que o céu esteja azul. mas o sol e esse céu azul só existem pra essa outra moça que é ela e que anda perdida em outro lugar. vivendo essa vida que ela sabe que existe, mas não encontra.

todos os dias a moça olha no espelho procurando as marcas dessa sua vida tão cinza, mas não as vê. porque as marcas que ela procura o espelho não mostra. estão na alma.

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