sabe

_olha, eu preciso te dizer.
que eu gosto desse seu jeito me fazer acreditar que a vida pode ser bonita. e eu gosto quando você ri das minhas piadas mesmo quando não entende nada do que eu digo. porque você sabe que ás vezes só precisa ouvir as minhas bobagens e fica tudo bem. e eu gosto dos seus silêncios. de quando você fala sem parar. e eu gosto demais quando você faz essas suas manhas e eu perco a paciência e faço uma manha maior ainda. e eu gosto de imaginar que isso nunca vai ter fim. gosto de acreditar que é verdade. que você existe. em algum lugar.

das horas

arruma suas coisas, essas todas que você tem aí, arruma. faz de conta que não existe antes, que a vida começou agora.
arruma sua vida pra eu poder caber dentro dela. pode ser um cantinho qualquer. arruma uma hora qualquer pra me dizer que as horas todas são só o tempo que temos pra fazer tudo acontecer.

arruma uma curva na sua vida pra me encontrar, pra me fazer lembrar que o sonho pode ser verdade. arruma seu melhor sorriso pra mim. e guarda todas as horas e palavras que eu guardei pra você. arruma suas coisas junto das minhas, e sorri pra mim. pra me dizer que sim.

mirror

(…)todos os dias a moça olha no espelho e se pergunta onde estão suas marcas. onde foram parar todos os anos que passaram, todos os dias cinzas e frios, e todas as coisas que viveu.
todos os dias. essa procura insensata por uma história em seu rosto. deveria estar em algum lugar ali, nos olhos, na testa… e algum lugar deveria estar. mas ela não acha. não no espelho.

e todos os dias ela sai na esperança vã que alguma coisa mude. tentando acreditar que em algum lugar vai encontar a parte de sí que perdeu. essa outra moça que é ela e anda por aí vivendo essa vida que ela quis tanto. vivendo em lugares onde ela sempre quis estar.

todos os dias a moça abre a sua janela, e todos os dias ela deseja que o sol esteja lá. que o céu esteja azul. mas o sol e esse céu azul só existem pra essa outra moça que é ela e que anda perdida em outro lugar. vivendo essa vida que ela sabe que existe, mas não encontra.

todos os dias a moça olha no espelho procurando as marcas dessa sua vida tão cinza, mas não as vê. porque as marcas que ela procura o espelho não mostra. estão na alma.

blues

pensando mil vezes se aquela porta devia se abrir de novo. e tirar de lá todas aquelas coisas que eu nem lembro direito como são. não lembro o que é não usar escudos, não sei mais andar desarmada, não sei mais acreditar. não sei mais sonhar. não sei mais olhar pro lado e desejar ter ali uma mão pra segurar, pra me segurar. não sei mais sorrir. e não sei de devo tirar todas essas coisas de onde eu as guardei. talvez não haja mais possibilidades de uso pra tudo isso.

(u)

[…] “Quero ter a liberdade de dizer coisas sem nexo como profunda forma de te atingir. Só o errado me atrai, e amo o pecado, a flor do pecado. Mas como fazer se não te enterneces com meus defeitos, enquanto eu amei os teus. Minha candidez foi por ti pisada. Não me amaste, disto só eu sei. Estive só. Só de ti. Escrevo para ninguém e está-se fazendo um improviso que não existe. Descolei-me de mim.”

pitangas

chorar. todos os dias. chorar as pitangas. chorar, reclamar aquilo que lhe é direito. e o que lhe é torto também. querer mais além, lá de onde a vista não alcança. aquilo que fica depois de onde a imaginção pode alcançar. chorar, reclamar. mas que raios de céu que sempre é cinza. não cansa, não muda. cinza. olhar pra cima e ver além desse cinza. olhar mais um pouco e alcançar aquilo que antes não via. imaginar mais, muito além. e enfim acordar. ver o mesmo céu cinza. chorar.

maybe

“(…)quis morrer de dor, mas decidi que sou ótima.”
 
 
vai ficando tudo tão vazio e sem cor e sem sentido e sem nome e sem graça e tudo tão cansativo que eu não sei mais o que dizer.