Eu poderia dizer tantas coisas aqui.
Poderia dizer de como me faz bem saber de você.
De como eu gosto de lembrar de você rindo, assim desse jeito que faz o sol brilhar mais forte, e me faz esquecer que eu não deveria lembrar tanto de você.
Poderia dizer também de tantas e tantas vezes que eu sonhei com você, as coisas mais absurdas… Mas nos meus sonhos pelo menos o céu era azul.
Olhando daqui o céu ainda é cinza. E faz tanto tempo que é assim que eu quase não lembro mais de como era antes. Eu poderia dizer tantas coisas aqui. De como eu tenho medo de você, de todas essas suas certezas que eu acho tão infantis, de todas as suas convicções que eu acho sem sentido. De toda a sua pose que sempre e sempre e sempre parece uma armadura inútil, porque armaduras sempre tem frestas. E de como eu já quis tanto estar perto, mas já não quero mais. Porque depois de tanto tempo eu ja sei que não tem lugar vago na sua vida. E eu gosto muito mesmo de lembrar do seu sorriso.

Anúncios
  
 
De tanto tentar ir embora eu acabo ficando. E de tanto tentar eu quero desistir. E de tanto ouvir eu quero concordar com o que dizem. Eu preciso acreditar que já é hora de voltar a viver. Viver de verdade sabe? Mas ainda falta. Falta descobrir o que é isso que eu espero tanto.
 

“— E você, por que desvia o olhar?

(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarra-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos)

— Ah, porque eu sou tímida.”