Eu acho mesmo que eu devia escrever alguma coisa pra você. Alguma coisa curta, que coubesse num guardanapo de mesa de bar, daqueles bem fininhos que se rasgam fácil. Alguma coisa que te fizesse sorrir assim só com o canto da boca sabe?
Pra toda vez que você se distraisse com seu cigarro se pegasse pensando nisso que eu escrevi pra você. Essa coisa tão pequena que cabe num guardanapo barato de bar, mas que fosse tão delicada e ao mesmo tempo tão forte que te fizesse se lembrar de mim. E de tudo o que eu escrevi pra você e você nem sabe…
E que sempre houvesse esse pequeno sorriso seu, que seria meu.

É difícil jogar, não saber, não ter certeza, ou pior, não aceitar. O desconhecido existe do outro lado da mesa e eu só queria que você fosse mais simples pra mim, queria te ouvir dizer qualquer coisa fácil sobre nós, mesmo sendo complicado pra você, mesmo parecendo estranho.

Queria que a gente fosse viável.

Eu já escrevi cenas bonitas de nós dois que pareciam impossíveis, e mesmo naquele tempo já queria que não fossem tão impossíveis assim. Agora que a vida muda e reinicia um novo retorno, metrô andando para estação errada, queria que mesmo parecendo não realizável, acontecesse. Nós dois juntos, sabe?

Depois de um bom tempo, você ainda está aqui. Cada vez mais sendo parte do jeito como eu vejo a beleza no dia-a-dia, uma cor primária que eu misturo com outras poucas pra decidir o que me emociona ou não, é natural e difícil de desapegar, uma coisa que já existe antes de qualquer filtro.

Acontece e pronto.

Eu queria ter uma conversa sincera com você, te ouvir falando muito mais que eu, dela talvez brotasse a solução e você teria a liberdade de ser feliz e me fazer feliz do seu jeito. Então rir, ouvir Caetano, fugir pela noite em qualquer felicidade barata, discutir o que já discutimos e o que ainda não, comprar comida e Coca-Cola, beber demais, andar demais, fazer o que se quer fazer seria possível.

Queria te assistir vivendo coisas assim.

Comigo.


(não é meu, mas fala por mim.)

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Me dói a consciência nunca ter te olhado tarde assim
Só não quero estudar o que digo a seguir
Tenho medo de te olhar e não conseguir dizer palavras simples
Falar de um jeito simples
Me envergonha um pouco escrever tantas frases pobres
Vai que alguém me descobre por aqui?
Só não quero estudar o que digo a seguir
Tenho medo de te olhar e não conseguir dizer palavras simples
Falar de um jeito simples…

Uma biblioteca para encontrar Drumond, Rubem Braga, Fernando Sabino… Eles que foram tão presentes na minha infância. Uma magueira no quintal. Amigos. Cinema, vinho. Todas essas coisas tolas e fúteis que todo mundo deseja um dia.Mas (e como tudo na vida tem um mas) eu queria você lá, ou aqui…Tão piegas isso. Dizer que sem alguém nada tem graça. Talvez nem seja o caso, mas no fundo sempre é. Como é possivel isso? Sentir tanta falta de alguém que nunca esteve. Esse vazio que nunca foi preenchido por uma presença que nunca foi real. Sim sou incoerente. Sim ainda choro. Sim ainda sinto falta disso que eu não tive.

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E desse não sei o qu(ê) nunca sobra nada. O que quer dizer que sempre falta alguma coisa. Redundâncias á parte, sempre falta aquele barulhinho bom que o seu sapato faz quando você está por perto. E o seu cheiro que sempre chega um pouco antes, pra me dizer que o seu abraço está tão perto que mesmo antes de acontecer eu já posso sentir. Tudo isso que é tão bom mas que nunca-está-sempre-está-faltando. E nesse tem não tem, eu já não sei mais o que aconteceu de verdade e o que ficou na lembrança do nunca-aconteceu-de-fato. E dentro dessas tais n-o-r-m-a-t-i-v-i-d-a-d-e-s a vida segue enquanto eu tento me lembrar como foram os dias que ainda não aconteceram.